“Todos nós sabemos, por conhecimento de causa, que alimentação e saúde estão sempre de mãos dadas. Por esse motivo, gostamos de saber mais sobre os alimentos e seus efeitos em nosso dia-a-dia.”

Orgânico como bem estar coletivo

Qualquer um que tenha se dedicado a uma tarde de ócio criativo durante o fim de semana, percorrendo os canais da TV ou da internet, já percebeu a enorme quantidade de programas voltados para a gastronomia. Disputas entre chefs, receitas práticas, dicas de harmonizações, técnicas culinárias… Arrisco a dizer que o tema alimentação é onipresente na mídia, desde sempre! E por um motivo muito simples: rende muita audiência!

A alimentação, e tudo o que diz respeito a ela, está no centro da condição humana. Somos resultado dos alimentos que ingerimos! E esta não é apenas uma percepção técnica, elaborada a partir de investigações científicas. É uma noção já incorporada ao senso comum. Todos nós sabemos, por conhecimento de causa, que alimentação e saúde estão sempre de mãos dadas. Por esse motivo, gostamos de saber mais sobre os alimentos e seus efeitos em nosso dia-a-dia.

É natural, portanto, que haja uma preocupação em relação aos alimentos orgânicos e a nutrição. Na Organis de vez em quando recebemos questionamentos sobre o real valor nutritivo dos alimentos orgânicos. Nos perguntam se, de fato, eles oferecem mais benefícios para a saúde do que os convencionais. Essa questão ainda é controversa e suscita acaloradas discussões. Em nossas respostas, procuramos nos ater aos fatos.

Em primeiro lugar, é muito difícil determinar se há relações de causa e efeito entre o consumo de orgânicos e a melhoria da saúde. Os resultados encontrados estão sempre sujeitos à ação de muitas variáveis e dependem de contextos específicos. Por outro lado, o consumo de determinados tipos de pesticidas químicos, ainda que em doses controladas, pode afetar negativamente a saúde humana – há vários estudos sobre isso. Como os orgânicos são cultivados sem defensivos químicos, entendemos que eles não geram esse tipo de impacto negativo.

Além disso, em nossa defesa dos orgânicos costumamos ressaltar um aspecto que vem ganhando muita importância entre os profissionais da nutrição: a saúde coletiva!
A produção de alimentos em larga escala para atender grandes empresas, escolas, eventos ou mesmo comunidades inteiras, obriga o nutricionista a pensar muito além. Questões como hábitos e valores culturais, viabilidade econômica, sustentabilidade e impactos ambientais interferem diretamente na saúde de todos. É aí que os orgânicos ganham de lavada!

Cultivar orgânicos é muito mais do que descartar o uso de agrotóxicos. Para ser orgânico, e receber o certificado, um produtor precisa estar comprometido com práticas muito objetivas: não pode prejudicar o meio ambiente, degradar o solo nem comprometer os recursos naturais. Precisa cuidar da flora e da fauna locais e pensar com responsabilidade as suas operações de logística. Deve respeitar o direito e as condições dos trabalhadores e cultivar os valores culturais das comunidades locais.

Essa dimensão coletiva dos orgânicos ultrapassa o âmbito do indivíduo e põe a questão da saúde num contexto muito mais amplo, onde os benefícios chegam para todos e também para o próprio planeta. Consumir orgânicos está se tornando uma forma de pensar no alimento não apenas como um veículo de promoção da nossa saúde, mas também de bem-estar para toda a coletividade. 

É por isso que defendemos: os orgânicos têm atributos de sobra para fazer parte de qualquer plano alimentar que se preze. Especialmente daqueles que entendem a saúde e o bem-estar como resultado de um conjunto de ações sistêmicas.

Clauber Cobi Cruz
Diretor da Organis – Associação de Promoção dos Orgânicos

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