“Quando os orgânicos dizem que está tudo bem, significa que o consumidor está cuidando melhor da saúde e, portanto, acredita mais no próprio futuro e da família. Significa que a natureza está sendo preservada e a terra, a água e o ar são poupados de enormes quantidades de produtos tóxicos.”

Abril de 2021

Na maioria das vezes, dizer Oi, tudo bem é apenas um cumprimento formal e não requer resposta mais elaborada do que um protocolar Tudo, e você?, mesmo que o interlocutor esteja passando por um momento não tão bom assim. 

Mas, no nosso caso, costumamos levar a pergunta a sério. Muitos nos perguntam como anda o movimento orgânico em meio a essa crise econômica, política e sanitária que já dura mais de um ano. E respondemos: Tudo bem!  

O setor avançou 30% em 2020 e as perspectivas de crescimento contínuo vem se confirmando este ano. Os produtores se reinventam, a distribuição se estrutura melhor, a presença nos pontos de venda se consolida e aumenta, inclusive no grande varejo. 

Está tudo bem para os orgânicos? Afirmar isso, à primeira vista, pode parecer uma atitude egoísta diante da situação de dor, insegurança e dúvidas pela qual a maioria dos brasileiros está passando. Mas acontece que o movimento orgânico não está tripudiando e nem contando vantagem quando divulga suas conquistas. Sabe por quê? Em primeiro lugar, porque essas vitórias são coletivas. 

Quando os orgânicos dizem que está tudo bem, significa que o consumidor está cuidando melhor da saúde e, portanto, acredita mais no próprio futuro e da família. Significa que a natureza está sendo preservada e a terra, a água e o ar são poupados de enormes quantidades de produtos tóxicos. Significa que as condições sociais estão melhorando para um grande contingente de trabalhadores. Significa que o jeito de ser e de viver das comunidades locais está sendo respeitado, deixando de empurrar as pessoas para as periferias sem identidade. Significa um ponto positivo para a imagem do Brasil diante do mundo. E muitos outros significados que cada um dos atores do movimento vai acrescentando em todos os seus dias de trabalho. 

Ultimamente, aos que me perguntam Oi, tudo bem? eu também costumo dizer que uma coisa não está tão bem. Me refiro ao que não depende de nós, mas de uma série de fatores econômicos, sociais e políticos. Os produtores vêm reduzindo suas margens, investindo em inovações, reduzindo perdas em seus processos para compensar essa pressão externa. Mas os custos de energia, transporte, insumos, sementes, impostos e tantos outros continuam subindo. 

Nessa ciranda, ter mantido os preços relativamente estáveis neste período foi uma proeza, mas que não pode chegar ao ponto de inviabilizar o negócio – e todas as virtudes que ele ajuda a sustentar. 

Mas, tudo bem, o importante é verificar que as relações entre produtores, processadores, consumidores e varejistas, cada vez mais, se realiza de forma respeitosa, transparente, sustentável. Vamos conversando. E isso não é uma despedida, mas um convite.

Cobi Cruz
Diretor da Organis – Associação de Promoção dos Orgânicos

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