“Às vezes o candidato é bom, mas não sabe de tudo. Por isso, você, que é da área por profissão, conhecimento ou amor, precisa aproveitar a ocasião para explicar a ele que sustentabilidade não é apenas um detalhe, é tudo.”

Vamos colocar um verde na bandeira americana?

O resultado das eleições dos EUA tem implicações que vão muito além de um mapa passando de vermelho para azul diante de bilhões de espectadores. Seus efeitos serão enormes. Não porque Biden represente uma mudança radical, mas, certamente, com ele, a terra voltará a ser redonda e o diálogo deixará de ser circular, como convém a pessoas sensatas.

Para começar, o novo presidente americano deixou claro, desde os primeiros pronunciamentos: as questões climáticas voltarão com peso redobrado na pauta da política e comércio internacionais. Com destaque para a proteção ao meio ambiente, a primeira das necessárias providências para se frear o aquecimento global.

O governo brasileiro que, até aqui, buscava alinhar o seu discurso e suas ações à doutrina do Tio Sam alaranjado, terá de se adaptar à nova realidade, mesmo a contragosto, sob o risco de um severo isolamento internacional.

Os orgânicos brasileiros, que não baixaram suas bandeiras nos tempos ruins, agora estão aptos a aproveitar bem esta guinada na grande potência mundial, cuja maior força reside justamente no trio comunicação, propaganda e marketing.

Podem apostar um milho orgânico que os conceitos da alimentação saudável e da sustentabilidade na produção vão ganhar ainda mais destaque nas discussões nos lados de cá e de lá da fronteira. Com isso, o movimento orgânico, de repente, vê o seu patrimônio valorizado, aliás, muito valorizado. E precisa surfar essa onda com decisão, pois é neles que está a cor que os EUA, o Brasil e o mundo precisam colocar nos seus mapas: o verde.

Eleições brasileiras: ensine agroecologia ao seu candidato

Às vezes o candidato é bom, mas não sabe de tudo. Por isso, você, que é da área por profissão, conhecimento ou amor, precisa aproveitar a ocasião para explicar a ele que sustentabilidade não é apenas um detalhe, é tudo.

Sem ela, mesmo as melhores propostas simplesmente não acontecem, ainda que o atual candidato, quando no cargo, faça questão.

A agricultura orgânica é um dos pilares da sustentabilidade. Mas a sua verdadeira dimensão ainda não chegou à cabeça e ao coração da imensa maioria dos prefeitos e vereadores.

Por isso, mãos à obra. Para ajudar, destacamos alguns pontos fundamentais para você dar uma lição básica ao candidato. Por exemplo:

• Os orgânicos não apenas mantém, mas melhoram o ar, a água e a terra, insumos mais que fundamentais para todas as demais atividades do município

• A agricultura orgânica gera empregos qualificados e aumenta a renda média nas áreas rurais do município, evitando a deterioração e ocupação caótica das periferias

• O mercado da agricultura orgânica aumenta ano após ano, inclusive no exterior, dinamizando indústria, serviços e comércio locais

• Ao contrário do grande agronegócio, os ganhos da agricultura orgânica ficam no município, de forma rápida e direta

• Apoiar os orgânicos é uma forma eficaz de valorizar uma cultura centrada na paz, na saúde, no equilíbrio social, na qualidade de vida.

Cobi Cruz
Diretor da Organis – Associação de Promoção dos Orgânicos

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