“Apesar da histórica aptidão agrícola, clima favorável e extensa área agriculturável de aproximadamente 351 milhões de hectares (IBGE, 2017), a produção brasileira de orgânicos apresentou, antes da pandemia, aproximadamente 0,44% da área destinada ao cultivo dos orgânicos.”

No início de 2015 procurei meu endocrinologista para uma consulta de rotina e acompanhamento do Diabetes Mellitus, tipo 1, que me acompanha desde 2004. Após os devidos ajustes na medicação, isto é insulina, o médico fez alguns questionamentos sobre minha alimentação e me propôs uma “tarefa de casa”: procurar informações sobre uma dieta mais saudável que incluísse mais folhas, legumes e frutas. De imediato veio um impulso de procurar por dietas “prontas e fáceis”, mas uma palavra chamou a minha atenção naquele dia, “Orgânicos“. 

De imediato constatei que as informações sobre os produtos orgânicos brasileiros são restritas, muitas vezes dispersas e, quando existem, refletem uma realidade local ou municipal. Inconformado com a minha inabilidade em encontrar informações relevantes sobre os alimentos orgânicos nacionais, decidi mudar a estratégia e procurar informações em órgãos internacionais.  

Encontrei informações muito interessantes sobre a produção de orgânicos na Dinamarca, isto mesmo, aquele país pequeno no norte da Europa onde a temperatura média anual gira em torno de 7°C, ocorrem chuvas durante 180 dias no ano e, durante o inverno, os dias são mais curtos do que as noites. Mesmo com essas “condições adversas” para a agricultura, a Dinamarca é líder de mercado, com aproximadamente 11,5% do marketshare global de produtos orgânicos (IFOAM, 2020). 

E o Brasil? Apesar da histórica aptidão agrícola, clima favorável e extensa área agriculturável de aproximadamente 351 milhões de hectares (IBGE, 2017), a produção brasileira de orgânicos apresentou, antes da pandemia, aproximadamente 0,44% da área destinada ao cultivo dos orgânicos. É muito pouco, você não acha? 

Fiquei então me questionando: quais são os entraves ao crescimento da produção orgânica no Brasil? Essa foi, em essência, a motivação e o problema de pesquisa da minha Tese de Doutorado apresentada no Instituto de Economia da UNICAMP em maio de 2021. 

O objetivo da Tese foi realizar uma análise comparada do desenvolvimento da agricultura orgânica no Brasil e na Dinamarca, a fim de levantar os entraves e propor políticas e ações para a dinamização desse setor no Brasil. Em síntese, na Tese foram apresentados 11 fatores críticos

Fatores Críticos

  1. Quanto à demanda
  2. Quanto à oferta
  3. Quanto ao comércio e negociações internacionais
  4. Quanto à segurança do produto
  5. Quanto ao apoio a pesquisa
  6. Quanto ao apoio da assistência técnica e extensão rural
  7. Quanto ao apoio ao acesso a crédito agrícola
  8. Quanto ao apoio ao ensino
  9. Quanto ao acesso ao mercado
  10. Relação entre agentes públicos e privados
  11. Crise Climática e seus efeitos sobre a agricultura

Fonte: (LIMA, 2021)

Em conjunto esses fatores dificultaram o desenvolvimento da agricultura orgânica no Brasil apresentando uma dinâmica caracterizada como Círculo Vicioso. De maneira oposta, esses mesmos fatores dinamizaram o setor e colocaram a Dinamarca como referência global, isto é, a dinâmica desses fatores em conjunto caracterizaram-se como um Círculo Virtuoso

Para a superação do círculo vicioso do Brasil, no último capítulo do trabalho foram apresentadas algumas Ações e Políticas Públicas

Acredito que por meio de ações conjuntas entre os produtores rurais, os consumidores, o setor varejista, o terceiro setor e as universidades é possível dinamizar a produção, aumentar o consumo dos alimentos orgânicos e ampliar a consciência ecológica das jovens gerações em torno de um bem comum, uma alimentação saudável, com preço justo e de fácil acesso. Vamos juntos nessa direção! 

Convido vocês a acessarem gratuitamente o trabalho completo clicando em Tese Lucas Lima.

Lucas Ferreira Lima
Doutor em Desenvolvimento Econômico – Instituto de Economia – UNICAMP

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