“A essência da agricultura orgânica está baseada em práticas sustentáveis que preservam os recursos naturais e a biodiversidade, mitigam a emissão de gás carbônico, estabelecem relações de trabalho e comercias éticas, impulsionam a agricultura familiar e, na medida do possível, incentivam o comércio local ou de curta distância.”

Publicado originalmente no Um Papo Reto

O termo ESG (Enviromental, Social e Governance) usado para definir uma gestão que preserva o meio ambiente, promove o bem estar social e pratica uma postura corporativa ética é relativamente recente. Porém, ganha cada vez mais relevância e é praticamente uma febre no mundo dos negócios. 

Sem querer ser pretenciosa, ouso dizer que os orgânicos são ESG desde sempre. A essência da agricultura orgânica está baseada em práticas sustentáveis que preservam os recursos naturais e a biodiversidade, mitigam a emissão de gás carbônico, estabelecem relações de trabalho e comercias éticas, impulsionam a agricultura familiar e, na medida do possível, incentivam o comércio local ou de curta distância. 

Os orgânicos atendem ainda a uma legislação própria e, para que um produto seja considerado orgânico, passa por duas auditorias anuais que avaliam se todas as práticas descritas acima estão realmente sendo adotadas. Qualquer “não conformidade” coloca a certificação orgânica em risco. São inúmeros os casos de agricultores (falo de agricultores porque é o grupo com quem tenho mais contato, mas acredito que haja exemplos na indústria) que perderam a certificação por adotar alguma prática que foge dos princípios da produção orgânica. 

A gestão ESG é extremamente necessária para enfrentar os desafios, especialmente os climáticos, a que estamos sendo submetidos. No entanto, é necessário tomar cuidado para não banalizar e desvalorizar o termo. 

As empresas estão sendo cada vez mais cobradas a assumir compromissos sociais e com a preservação do meio ambiente, sob o risco de serem “canceladas” pelos consumidores, outro termo em alta atualmente. 

Para atender a essa demanda da sociedade, muitas empresas adotam o chamado greenwashing, expressão traduzida como “maquiagem verde” ou “lavagem verde”, e comunicam medidas que contribuem para minimizar os impactos ambientais e sociais, mas cuja prática está distante do discurso. 

Mais uma vez, ponto para os orgânicos. O mercado de orgânicos cresce expressivamente ano a após ano, até agora imune a crises financeiras, sustentado por práticas verdadeiramente sustentáveis do ponto de vista ambiental, social e econômico, e pela oferta de alimentos mais saudáveis.

Milena Miziara
Jornalista e agricultora orgânica – Laverani Orgânicos

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